Experiências reais compartilhadas

Você nunca está só - 10/08/2010

Casada há quase 8 anos, eu já tinha uma filha de 6 anos, quando decidimos ter outro filho. Foi uma gravidez mais que desejada, me programei para ter o segundo filho e desejava que fosse um menino pra realizar meu sonho de ser mãe de um casal.

Aos 6 meses começaram as complicações, e na metade do sexto mês fui internada na noite de Natal com risco de aborto. A médica plantonista que me atendeu naquela noite, quando todos se preparavam para ceiar com suas famílias, me disse que se eu voltasse pra casa naquela noite, no próximo Natal eu não estaria com essa criança nos braços. Só assim eu e meu marido nos conformamos em passar aquela noite no hospital. Foram mais 3 dias e depois da alta, quase 3 meses de repouso absoluto, só levantava da cama para ir ao banheiro e ao médico.

Graças à Deus, o menino que eu esperava colaborou e nasceu de 9 meses, e veio um menino enorme, com a aparência física perfeita. Eu estava em estado de graça, tinha a família que sempre pedi à Deus.

Dias depois fomos levar o “José Luís” pra fazer o teste da orelhinha e a fonoaudióloga nos pediu que voltássemos no dia seguinte pra repetir o exame, pois estava dando alterado e ela iria calibrar o aparelho pra ter certeza que o resultado estava correto. Até aí eu nem imaginava pra que servia o Teste da orelhinha.

No dia seguinte estávamos lá novamente, e novamente o resultado do exame estava alterado. Saímos da clínica com a orientação de procurar um otorrino. E assim fizemos. Tivemos o desprazer de encontrar em nosso caminho alguns profissionais que esquecem que por trás de exames estão pessoas, na maioria das vezes com pouca informação sobre o assunto em questão e fragilizadas por receberem um diagnóstico totalmente inesperado, que pode mudar a vida não só da criança, mas de todos que estão ao seu redor.

Aos 7 meses conseguimos fechar o diagnóstico da deficiência auditiva do José Luís. Assim como na maioria das famílias, meu céu desabou, tive que enterrar um filho ouvinte e dar a luz à um filho surdo, e que mãe está preparada para esse momento?

Dias se passavam e eu não consegui encontrar respostas pra todas as dúvidas que estavam na minha cabeça, só chorava, dia após dia. Meu marido foi meu grande porto seguro, me levantou todas as vezes que desabei. Depois de alguns dias consegui finalmente levantar a cabeça e começar a caminha novamente. Dei início a uma longa busca sobre informações que pudesse “me ajudar a ajudar” meu filho.

Encontrei também profissionais que me ouviram e entenderam os meus anseios. Aos 8 meses meu pequeno já estava fazendo uso de aparelhos auditivos e dando início a habilitação auditiva. Encontrei também pessoas que chamo de “anjos” que me falaram do implante coclear e comecei a pesquisar sobre o assunto. Não demorou para que eu saísse de Manaus e viajasse até São Paulo para dar início a avaliação para a cirurgia de implante coclear do José Luís. E com 1 ano e 2 meses de idade o José Luís foi submetido a cirurgia de implante coclear.

Hoje, o José Luís tem 5 anos, fala e ouve como qualquer criança da mesma idade, frequenta escola regular (tendo o auxílio do Sistema FM inspiro) e está muito bem, mas isso foi resultado de muita dedicação da família e dos profissionais que o acompanham até hoje.

Daí pra frente nossa história se confunde com a da AMADA, esse foi o nome escolhido para a associação que criamos para ajudar outras famílias. Eu não poderia ter tanta coisa boa guardada só pra mim, tinha certeza de que como eu, muitas mães estavam chorando por ter recebido o diagnóstico de um filho surdo. Meu filho foi só o primeiro bebê a receber o implante coclear, a 4 anos atrás, graças a AMADA – Associação Amazonense de Apoio aos Deficientes Auditivos e Usuários de Implante Coclear, a qual tenho a honra de presidir, mais de 30 crianças e adultos seguem os mesmo caminhos

A mensagem que deixo aqui vai para as mães:

Façam por seus filhos todos os esforços, se arrependam de terem feito demais e nunca de menos, porque um dia você pode olhar pra trás e dizer que tentou, que buscou e que lutou, e eles saberão reconhecer todo esforço e dedicação. E acreditem, você nunca está só, há sempre alguém pronto pra te ajudar nessa caminhada difícil, mas cheia de alegrias e emoções.

E esse é o José Luís: http://www.youtube.com/watch?v=LiC2DLLAbNU

Tatiane Braga
mãe do José Luís Braga (5 anos)
Manaus - AM

Implantado em 03/05/2006



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